Inicial CIÊNCIA Os marca-passos mais recentes diminuem os riscos e melhoram o tratamento personalizado

Os marca-passos mais recentes diminuem os riscos e melhoram o tratamento personalizado

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Novas tecnologias permitem que pacientes com problemas cardíacos tenha mais qualidade de vida. O eletrofisiologista cardíaco, doutor Kamal Kotak demonstra onde um marca-passo sem eletrodo seria inserido no coração humano.

Os avanços da tecnologia de marca-passos estão abrindo novas portas para os pacientes, compartilha Kamal M. Kotak, médico e eletrofisiologista cardíaco do Instituto Internacional do Coração da Universidade de Loma Linda, um centro acadêmico da Igreja Adventista do Sétimo Dia nos Estados Unidos. Ele e especialistas do Instituto lideram em sua região a implantação dos mais recentes marca-passos aprovados pela Food and Drug Administration (órgão norte-americano correspondente à Anvisa). Os dispositivos reduzem o risco de complicações médicas e oferecem soluções mais precisas e personalizadas para o gerenciamento de distúrbios do ritmo cardíaco.

Os marca-passos ajudam a apoiar o sistema elétrico do coração, que controla os batimentos cardíacos, relata Kotak. A eletricidade no coração começa em um grupo de células na parte superior do coração e se espalha para a parte inferior, fazendo com que o coração se contraia e bombeie o sangue. Ele diz que o envelhecimento, danos no músculo cardíaco e certas condições genéticas podem causar uma desaceleração do ritmo cardíaco que pode exigir um marca-passo – um pequeno dispositivo implantado no peito com fios (eletrodos) conectados ao coração para evitar que ele bata muito devagar.

Novas técnicas de marca-passos, como marca-passos sem eletrodos e marca-passos com sistema de condução cardíaca, alcançam o que os marca-passos tradicionais conseguem ao enviar sinais elétricos para ajudar o coração a bater corretamente, enquanto oferecem um ajuste mais personalizado aos pacientes.

“O marca-passo sem eletrodo é autônomo”, explica Kotak, o que significa que, ao contrário dos marca-passos tradicionais colocados no peito do paciente com eletrodos conectados ao coração, os marca-passos sem eletrodos são implantados diretamente no ventrículo direito do coração por um método minimamente invasivo – sem cortes ou pontos. Embora o marca-passo sem eletrodo não seja para todos, Kotak reforça que há cenários específicos em que ele pode ser usado em vez de um marca-passo tradicional. Ele destaca que o marca-passo tradicional continua sendo o método padrão de estimulação cardíaca.

Kotak compara e contrasta as características de diferentes marca-passos, incluindo tamanho, formato e capacidade. (Foto: Divulgação)

Os marca-passos do sistema de condução, também chamados de marca-passos da área do ramo esquerdo (LBBAP), são os mais novos no cenário, segundo Kotak. Ele diz que seu design ajuda os sinais elétricos do coração a se moverem de forma mais coordenada e natural com um fio em vez de vários. Essa característica poupa os pacientes da dissincronia, uma condição que pode se desenvolver em até 15% dos pacientes com experiência com marca-passos tradicionais e que pode levar a um grave enfraquecimento do coração ou sintomas de insuficiência cardíaca. Além disso, Kotak conta que o LBBAP serve como uma alternativa e, às vezes, uma opção superior para um grupo seleto de pacientes que precisam de terapia de ressincronização cardíaca.

Vida nova

Louise Correnti, de 76 anos, recebeu um marca-passo do sistema de condução cardíaca em junho, restaurando sua saúde. Ela percebeu uma falta de ar pela primeira vez em abril, enquanto realizava atividades cotidianas, como passear com seus cães em Beaumont. Ela conta que ficou surpresa com esse sintoma, já que pratica Pilates quatro dias por semana e é uma ávida motociclista há três décadas.

Depois de algumas semanas com seu smartwatch registrando baixa frequência cardíaca, Correnti entrou em contato com sua equipe de atendimento no Departamento de Saúde da Universidade de Loma Linda (LLUH, sigla em inglês). Em poucos dias, Louise se reuniu com especialistas do Instituto Internacional do Coração que monitoraram remotamente seu coração usando um dispositivo vestível e determinaram os próximos passos.

“Eu fiquei impressionada com a rapidez com que as equipes do LLUH se moveram”, destaca Louise, que estava realizando algumas tarefas quando recebeu uma ligação dizendo que ela precisava de um marca-passo naquele dia.

Kotak relembra que a mulher teve um bloqueio cardíaco completo, o que significa que os impulsos elétricos que controlam os batimentos cardíacos não conseguem passar entre as câmaras superior e inferior do coração. Um bloqueio completo pode afetar o fluxo sanguíneo para o corpo e o cérebro, levando a complicações, incluindo desmaios com lesões, pressão arterial baixa, danos aos órgãos internos e parada cardíaca.

Correnti é uma motociclista ávida há três décadas e gosta de viagens de vários dias por todo o Sudoeste dos Estados Unidos. (Foto: Arquivo pessoal)

Louise explica que não entendeu completamente a gravidade de sua condição na época, mas é grata por Kotak e a equipe terem salvado sua vida com o marca-passo do sistema de condução. Esteticista aposentada, ela adota seu estilo de vida ativo e até começou a jogar pickleball (um esporte que une elementos do tênis e tênis de mesa) após se recuperar do procedimento. Ela continua viajando de moto ou avião (visitou Cancun, no México, recentemente) enquanto fica de olho no monitor doméstico conectado ao seu marca-passo.

Embora seja um programa de monitoramento remoto, Kotak comenta que ele e sua equipe usam um software avançado para monitorar a frequência cardíaca, o ritmo cardíaco e a atividade do marca-passo dos pacientes. Os monitores alertam os pacientes e suas equipes de atendimento sobre qualquer atividade incomum e emitem um alerta precoce para qualquer avaria.

“Nossas equipes de atendimento podem aproveitar os avanços na tecnologia de marca-passos e monitoramento remoto para otimizar o atendimento a pessoas como a senhora Correnti”, detalha Kotak.


versão original desta notícia foi publicada pelo Loma Linda University Health.

 

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